Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Encontrar Um Rumo

O vento fustigava o seu corpo fazendo o seu cabelo e as suas roupas oscilarem, ensopados na chuva torrencial que caía naquela noite.
Sem se demover, o seu rosto duro fitava o horizonte. Dor e ódio eram tudo o que sentia.
A revolta ameaçava apoderar-se do seu espírito, enquanto tentava lembrar-se do que era a felicidade. Sabia que já a tinha sentido, mas não conseguia recordar um só momento. As suas memórias estavam difusas e distantes. Acima de tudo, enterradas, tal como a sua fé na humanidade.
Fechou os olhos. Gritos, tiros, som seco de metal a cortar a carne. Carne humana. Sangue, morte, sofrimento. Não, não valia a pena continuar a sofrer; os valores, a atitude correcta, a justiça, o bem das pessoas não lhe interessavam mais.
Sair. Sim, sair seria o próximo passo, para fora do país, para longe desta gente obcecada, fanática, tirana e cruel. Agora só.
Uma lágrima escorreu-lhe pelo rosto. Só!
Seria fraqueza desistir assim? Deixar de lutar, não exigir uma vingança? Perpetuar a violência? Mesmo que fosse já não lhe importava. O que quer que fizesse não traria de volta ninguém a quem a vida já abandonara o corpo.
A única coisa que queria era engolir e esquecer a dor que se fechava sobre o seu peito e que lhe dificultava a respiração. E quem sabe um dia, descobrir de novo o que era ser feliz...
Os músculos do seu rosto contraíram-se. Abriu os olhos num movimento rápido e num grito cortante exprimiu e libertou com todas as suas forças toda a sua dor, toda a sua revolta.

1 comentários:

Maria disse...

Uau Morgaine. Mto bom. Acho k começo a repetir-me mas ñ posso dizer algo diferente! Tu és msm boa,loool. :P